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Analogia

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Dias atrás, estava num barzinho com amigos, e num momento de distração, comecei a observar as crianças que brincavam no local.

Corriam, de um lado para o outro e caíam várias vezes.

No entanto, ao cair, a brincadeira não se encerrava.

Alguns, choravam um pouco e logo voltavam a correr de novo.

Outros, só olhavam o machucado e logo retornavam para aquele mundo criado por uns instantes.

Parei pra refletir como somos. Durante toda a vida, passamos por “estágios” de maturidade, e como por vezes, esquecemo-nos disso.

Quando crianças, os machucados doem, mas algumas vezes não nos impedem de continuar na brincadeira.

E um adulto? Ás vezes, na primeira decepção diz não querer mais recomeçar uma nova história, ou ao olhar o machucado, deixa tudo para trás.

Aprendemos desde cedo que o importante é brincar enquanto é tempo, com aqueles que se dispõem a estar conosco. Que a ferida é apenas um detalhe durante as brincadeiras, e que o jogo não acaba por causa dela.

Em tempos, nós temos nosso momento de isolar-se, por que algumas brincadeiras cansam e se tornam chatas demais para repetir.

Algumas brincadeiras não valem o tombo.

Outras, em compensação, valem o tombo, a ferida e todas as regras a se seguir.

Tão bom quanto se divertir, sentir a adrenalina e sentir-se parte da brincadeira é a felicidade de um dia ter tentado. Ter em si uma marca, uma história pra se contar.

Olhar para o lugar e deixar as lembranças pairarem, sentir o perfume, ouvir a canção.

Lembrar, viver.

Re(lembrar), re(viver).

Aprender com o que já se viveu, e se achar necessário, repetir a experiência.

Como disse, vivemos estágios de maturidade, e nada melhor do que perceber a nossa evolução.

Reviver algo, momentos mais tarde, com outra visão, outra forma de pensar.

Algumas coisas não mudam mesmo, a mudança é permitida a nós, para que possamos aprender o quanto as coisas podem ser diferentes quando queremos.

Por vezes, crianças não têm espírito de competição, e brincam apenas para se divertir.

E nós, quantas vezes pensamos única e exclusivamente em vencer?

Entramos numa brincadeira (situação, momento) e focamos apenas no objetivo final, quando o melhor está antes dele.

O importante não é perder o foco, mas mantê-lo, se atentando a outras oportunidades.

Assim como a raiva cega, a ânsia por algo também, a ponto de só se notar aquilo e nada mais.

O desejo nos ensurdece e cega, inevitavelmente.

Gastamos muito tempo buscando o “porquê” das coisas, querendo que a ferida cure logo ao invés de esquecê-la e seguir.

Nos preocupamos precipitadamente, antes mesmo de tentar, choramos antes de cair e por vezes, perdemos a chance de sorrir mais, com medo de ouvir “Não”.

Nos chateamos com Deus, quando Ele não nos dá o que pedimos, ao invés de agradecê-lo por ter nos protegido.

Brinque mais!

Ouça!

Ame!

Confie em si!

Tenha coragem e se aventure.

Não perca a oportunidade de viver dias melhores, pelo simples medo de se machucar.

“Esquece que o jogo é jogado e deixa de lado o resultado, não vale nada” A Miragem – Jay Vaquer