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Andar é engraçado.
A gente corre  tão apressado que dificilmente se lembra quando tudo isso começou.
Quando estávamos naquela condição sábia da natureza humana, que nos permitia conforto e proteção.
Carregados no colo ou no carrinho, passando de braço em braço… em abraços.
Uma condição imposta, cômoda. Logo, nos trazia um bem: Éramos disputados para receber carinho, todos queriam nos ter nos braços.
Porém, chega uma hora que aquilo incomoda, e você passa a querer andar sozinho.
Se te colocam no andador, você tem sensações únicas de como é ficar em pé, ainda que limitado.
Ao engatinhar, soube que os braços te ajudariam muito quando fosse cair.
Ali viu que já começava a partir sozinho, sem ajuda.
Quando alguém pegava na sua mão, você notava o poder de ter alguém ao lado que pudesse contar.
Enfim, quando te soltaram, você descobriu a liberdade.
Com ela, vieram muitos choros.
O jeito desequilibrado, ainda sem jeito, te permitiu vários tombos.
E como dói cair quando se acha que sabe andar, tendo a chance e o poder de fazer isso sozinho.
Daí, quando te oferecem ajuda, você aceita regredir até que tenha segurança para firmar os passos.
Não o bastante, você mal aprendeu a andar e já quer correr.
Como é bom aprender!
E aí em diante, você foi tentando, aprendendo…
Foi caindo, chorando, tendo medo, levantando, observando…

Andar nos ensina muita coisa.

Nos ensina principalmente que faz bem, e que também é preciso parar ás vezes.
Nos ensina que antes de tudo, a natureza tem seu “porquê”.
Se não nascemos andando, é porque tudo tem uma etapa a se cumprir.
Aprendemos a engatinhar caindo, olhando, aprendemos a andar.
Ao aprender a andar, a vida nos ensina que ter alguém ao lado é essencial para chegarmos onde queremos.
E que esse alguém vai soltar nossa mão quando sentir que é hora, para caminharmos sozinhos.
Cair faz parte do progresso, se machucar e chorar sentado também.
Assim, aprendemos que mesmo achando que sabemos, uma hora iremos tropeçar.
Se não levantarmos sozinhos, haverá uma mão para nos ajudar.

Mas isso, nem sempre poderá acontecer, e não podemos ficar esperando.
Quando começar a correr, raramente vai se lembrar de como tudo começou, até que caia.
A vida é assim.
Nos permite viver cada etapa, mesmo que ás vezes tenhamos o desejo de pulá-las.
Um certo dia, ela nos fará lembrar de tudo que vivemos, para dar valor ao que ela nos ensinou.
Caminhe e não desista!
Só não se esqueça das mãos que lhe ajudaram, dos tombos que tomou, e que, mais importante que caminhar, é parar de vez em quando.
“Quanto maior o passo, maior o tombo”

A direção é mais importante do que a velocidade.” (Clarice Lispector)

Leia também: Analogia e Cicatriz

 

Andar

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As pessoas e seus pensamentos são eternas incógnitas.

Na vida, isso muito interfere em nossa rotina e jeito de ser, já que a atitude (ou ausência) do outro modifica muitas vezes o que se vive, viveu ou viverá.

Nada espantoso, haja vista que ninguém está aqui para ser agradável sempre, mas, quantas vezes já não me perguntei:

O QUE?

Sim, o que… O que houve? O que mudou? O que eu fiz? O que virá?

Nunca até hoje obtive certezas, e parei de buscá-las.

A realidade pra mim é uma mera ilusão. O passado que construímos é concreto.

O que ficou não pode ser modificado, mas o que se vive ilusoriamente não te leva ao futuro certo e exato.

O futuro é tão incerto quanto o presente, e ambos estão sempre em construção.

Digo do presente ser uma mera ilusão justamente pela interrogação.

Eu desconfio muito do que ouço e até mesmo do que vejo.

Tudo está em constante transformação.

Neste tudo digo inclusive as pessoas. Que mudam, mesmo que você não interfira nesta mudança.

Não há como compreender o que se passa dentro da mente humana.

De certo, nem nós sabemos O QUE nos move á algumas reações e atitudes.

Se não é possível ao menos entender a si próprio, como entender o outro?

A busca pelo auto-conhecimento pode até auxiliar, mas somente VIVER lhe mostrará quem você realmente é.

Interrogar-se sempre é como martelar a própria mão, mesmo sabendo a sua força e o peso do martelo.

Dói realmente, e alguns momentos a vontade será de jogar o martelo fora.

Porém, jogá-lo não apagará as cicatrizes que você mesmo criou.

Por vezes, é mais difícil guardar e esquecê-lo do que simplesmente parar de usá-lo.

Mais essencial do que deixá-lo de lado é saber que isso depende de você.

Enquanto não se notar que na vida pra ser FELIZ é preciso exclamar…

O que? Continuará causando cicatrizes e não lhe permitirá viver esta ilusão, chamada PRESENTE.

Não busque respostas. Busque maneiras de viver o hoje com as próprias perguntas.

“Somos como pontos de interrogação e exclamação, daqueles usados juntos, no final da pergunta.”

O que?