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Citação

Ontem uma cena me fez chorar em posição fetal.

Um pai… Um filho… Um homem…

Vagando em pensamento, rumo à sua casa. Guiado pelo álcool em dose desmedida.

Que sonhos tem? Quais mágoas quis afogar? Porquê chora? Onde estão seus amigos?

Quis gritar SOCORRO!

Ele passava despercebido.

Menos pra mim.

Seres especiais, perdidos num mundo confuso.

Quem se importa?

Senti que ao ingerir álcool, se tornou invisível.

Menos pro dono do bar.

Quis ABRAÇAR!

Iria chorar com ele.

E nesta linha, chorei recordando.

Tarja preta… Vermelha… Amarela… Incolor…

Qual curativo você acredita que pode diminuir sua dor?

A ferida continuará lá! Não use a tarja como uma tapa-olhos.

Eeei, levanta-te e anda! De cabeça erguida!

Não entre nesse poço tão fundo.

Profundo.

Teu odor tem o cheiro da solidão… Exala tristeza e pede ajuda.

Mas ninguém entende.

Se afastam como se fosse praga. Mal sabem que a indiferença cheira pior que você.

Não deixe que o inimigo invisível extraia o melhor que há dentro de ti!

Ouça meu grito!

Me dê um abraço!

O mundo é assustador, mas ainda tem muita beleza dentro dele.

Ainda há muita beleza dentro de você!

Se permita… Não faça deste inimigo mais um vencedor…

Juntos podemos acabar com essa dor.

Empatia… Vamos amar mais ao próximo?
– Já perdemos gênios demais para este vilão, não seja mais um…

Meu olhar [3]

Citação

Andar é engraçado.
A gente corre  tão apressado que dificilmente se lembra quando tudo isso começou.
Quando estávamos naquela condição sábia da natureza humana, que nos permitia conforto e proteção.
Carregados no colo ou no carrinho, passando de braço em braço… em abraços.
Uma condição imposta, cômoda. Logo, nos trazia um bem: Éramos disputados para receber carinho, todos queriam nos ter nos braços.
Porém, chega uma hora que aquilo incomoda, e você passa a querer andar sozinho.
Se te colocam no andador, você tem sensações únicas de como é ficar em pé, ainda que limitado.
Ao engatinhar, soube que os braços te ajudariam muito quando fosse cair.
Ali viu que já começava a partir sozinho, sem ajuda.
Quando alguém pegava na sua mão, você notava o poder de ter alguém ao lado que pudesse contar.
Enfim, quando te soltaram, você descobriu a liberdade.
Com ela, vieram muitos choros.
O jeito desequilibrado, ainda sem jeito, te permitiu vários tombos.
E como dói cair quando se acha que sabe andar, tendo a chance e o poder de fazer isso sozinho.
Daí, quando te oferecem ajuda, você aceita regredir até que tenha segurança para firmar os passos.
Não o bastante, você mal aprendeu a andar e já quer correr.
Como é bom aprender!
E aí em diante, você foi tentando, aprendendo…
Foi caindo, chorando, tendo medo, levantando, observando…

Andar nos ensina muita coisa.

Nos ensina principalmente que faz bem, e que também é preciso parar ás vezes.
Nos ensina que antes de tudo, a natureza tem seu “porquê”.
Se não nascemos andando, é porque tudo tem uma etapa a se cumprir.
Aprendemos a engatinhar caindo, olhando, aprendemos a andar.
Ao aprender a andar, a vida nos ensina que ter alguém ao lado é essencial para chegarmos onde queremos.
E que esse alguém vai soltar nossa mão quando sentir que é hora, para caminharmos sozinhos.
Cair faz parte do progresso, se machucar e chorar sentado também.
Assim, aprendemos que mesmo achando que sabemos, uma hora iremos tropeçar.
Se não levantarmos sozinhos, haverá uma mão para nos ajudar.

Mas isso, nem sempre poderá acontecer, e não podemos ficar esperando.
Quando começar a correr, raramente vai se lembrar de como tudo começou, até que caia.
A vida é assim.
Nos permite viver cada etapa, mesmo que ás vezes tenhamos o desejo de pulá-las.
Um certo dia, ela nos fará lembrar de tudo que vivemos, para dar valor ao que ela nos ensinou.
Caminhe e não desista!
Só não se esqueça das mãos que lhe ajudaram, dos tombos que tomou, e que, mais importante que caminhar, é parar de vez em quando.
“Quanto maior o passo, maior o tombo”

A direção é mais importante do que a velocidade.” (Clarice Lispector)

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Andar