Por Marini Lopes

E se…


Escrito ao som de Vértebra por Vértebra

Hoje despertei
sem me recordar de ninguém
o medo me corroía…
mas a curiosidade incessante latejava em mim
sentia que era um aprendizado
e segui minha intuição

Quem são eles?

Um a um
fui me aproximando e conhecendo meus pais, amigos,
pessoas a qual eu tinha aversão,
ex amores,
desconhecidos

de repente, tudo mudou

era uma nova percepção

Já não haviam mais mágoas, rancores
Ninguém sequer entendia o que se passava
enquanto eu só queria abraços de todos
até daqueles que em algum momento,
me causaram dores

Uma bruma sutil de surpresa pairou pelo ar
como uma mágica
Suspirei
E adormeci

Ao acordar novamente, entendi
Que em alguns momentos da vida
É necessário apurar o olhar
Esvaziar o coração
E se reencontrar com as pessoas
Permitindo uma nova conexão
Dando a elas e a si
Uma outra chance de se encantar

Seria uma utopia?
Se sim,
que delícia é ainda ter o super~poder de sonhar

Ou seria então, um chamado
pra se treinar
e voltar a se fascinar?

[reflexões de encontros que poderiam ter tido rumos diferentes – ou não]

Meu olhar, Por Marini Lopes

Versões


Eu já quis deixar pra trás

Essa mulher avassaladora que habita aqui dentro
E que, quando sente
Transborda seu universo pra fora

Que hora ou outra se pergunta
Quando esse jeito furacão de ser
Irá cessar e enfim desaparecer

Mas todas às vezes que pensei em deixá-la ir
Um vento forte surgiu
Unindo-nos, como terra e semente
A chuva chegou sorrateira
Ensinando o beleza da paciência
E em instantes, vi tudo florescer

Assim entendi
Que mesmo com tantos poréns
É isso que me move
E faz minha vida acontecer

“Depois é nunca”

Sobre dias mágicos no cerrado… 💚💦🍃💛

Amazonia, Por Marini Lopes

Sobre voltar pra Amazônia


“como foi na Amazônia?”

É o que mais tenho ouvido e lido desde que voltei. E eu muito entendo essa ânsia de todos. Quem estava aqui já da outra vez acompanhou o tanto de posts e poesias / textos lindos que ela me trouxe.
Eu voltei de lá, mas às vezes ainda sinto que ainda não voltei pra mim.
Estamos diferentes. Eu e ela.
E não falo de lugar somente. Falo de pessoas. De gestos. Do que é o serviço. De como é estar aberto a isso.
A Amazônia te revira do avesso.
O voluntariado te transforma.
Se vê Deus nos rios, nas plantas que germinam, nos animais livres, nas risadas das crianças, nas árvores submersas, nas raízes vermelhas, em cada alimento, em todos os seres.
E se, por um deslize, você se pergunta onde está Deus, de olhos marejados, um irmão chega como uma mágica, te olha nos olhos, e diz que vê Deus em ti também.
E se há Deus em tudo e você assim acredita, também há AMOR. Então, onde há amor, há luz e fé, e pra eles isso se basta.
Não é sobre transformar vidas, é sobre o quanto você está disposto a ser transformado.
É sobre se despedir também, de tudo aquilo que não te serve mais, de acolher e se desfazer seu eu antigo que não pode mais fazer parte dessa atual caminhada e sobre tudo, os pensamentos que a tempos precisavam de regeneração.
Tudo começa dentro.
É preciso coragem de nascer, plantar e colher de novo. É urgente começar e sair dessa zona de conforto.
Mas também é necessário descansar e confiar que tudo te acontece, faz parte dessa linda e complexa jornada.
Nem sempre vai ser lindo, mas vai valer a pena cada instante.

Fora da caridade, não há salvação.
Orem sempre
E ousem AMAR

Gratidão universo por todas as permissões até aqui 💫
@universidade.amor

Amazonia, Por Marini Lopes

Confiança


eu aprendi sobre confiança

quando algumas crianças me convidaram pra visitar o galinheiro da comunidade de canoa… eu era a única adulta ali, dentro daquele pedaço de madeira, que eles discutiam com propriedade sobre quem remaria melhor. Tudo tão rápido que eu mal conseguia mensurar a importância daquele momento pra eles… Passamos por igarapés, casas de “cabas” perigosas, e voltamos com a chuva, em meio aquela imensidão e diversos diálogos preciosos.

Éramos nós…
Eu, eles e a canoa
Com risadas e expressões que jamais vou esquecer.
Cheios de segurança, eles dominavam aquilo enquanto eu, era apenas conduzida e sempre muito cuidada, pelo rio e dentro das minhas sombras, sendo convidada a iluminá-las com aquela vivência que tanto me mostrou diversos horizontes.Com eles, eu vi muito sobre a alegria de servir com amor. De modo genuíno. Puro. Com muito vigor e carinho. Eu também precisei confiar. Pra poder ir até às profundezas e voltar.

Nem sempre a gente escolhe o caminho do amor e do aprendizado.
Mas, talvez, era essa a hora que o coração estava precisando também descansar e ser guiado 💚